[FILMES] “Grandes Olhos” (“Big Eyes”, 2014)

Os olhos, fatalmente, são a janela da alma.

Elenco: Amy Adams, Christoph Waltz, Krysten Hitter, Jason Schwartzman e grande elenco.

Direção: Tim Burton

Gênero: Drama

Méritos motivam. A partir desta afirmação, entremos de supetão na vida e história de Margaret Ulbrich (Amy Adams) e Walter Keane (Christoph Waltz): Recém-separada e com uma filha pequena para cuidar, Margaret abandona a antiga vida e chega a uma nova cidade para recomeçar um antigo projeto: lançar-se como pintora e, se rolar, sobreviver da arte. Ao expor numa praça a céu aberta, conhece o pintor calhorda Walter Keane (Waltz). O encantamento é imediato e, em pouquíssimo tempo, o sobrenome Ulbrich muda para Keane. A vida parece começar a entrar nos trilhos quando a ideia de Walter expor seus quadros e da esposa num famoso restaurante da Califórnia vinga e, após uma briga dele com o dono do estabelecimento, os obras tomam conhecimento do grande público. Em questão de pouco tempo, todos querem uma obra de Walter… pintada por Margaret. Não entendeu? Eu posso explicar: Ao comercializar suas pinturas de ambientes e os retratos de olhos grandes da esposa, ele toma o crédito como criador de ambos segmentos, como se Margaret nem soubesse como pegar num pincel. Quando acontece a primeira vez, sra. Keane pede para que o marido nunca mais faça isso mas com o boom que os olhos grandes dão no mundo da arte, voltar atrás e dizer que os quadros na realidade eram pintados pela mulher não parece uma opção para Walter.

waltz

O filme retrata bem uma sociedade machista, que prioriza o trabalho masculino ao feminino mas, sinceramente, isso não é novidade é? Hoje mulheres tomam a frente em diversas empreitadas e se sobressaem a muitos caras mas, na época que o filme acontece, as coisas eram diferentes e a mulher era criada para ser mãe e dona de casa. Margaret decide tomar o rumo da própria vida mas, quando sai de um casamento arruinado, acaba em outro.

O sucesso das obras de olhos expressivos é cada vez maior: Walter agora é proprietário da Galeria Keane e conhecido mundialmente pelas criações da mulher que, cada vez mais, anula a si própria e não abre nem para a própria ser a autora das obras garantia do retorno financeiro dos Keane. O ponto alto da relação autodestrutiva do casal chega quando Walter oferece a possibilidade de “criar uma arte” para figurar no prédio da UNICEF: Trata-se de um quadro enorme, que coloca a real pintora a um estágio físico e psicológico próximo a um colapso. Após uma forte discussão, Margaret decide que aquela situação abusiva precisa acabar e… O filme está em exibição na maioria dos cinemas de todo o Brasil! Hahahahaha! Contar mais da história é entregar spoilers valiosos para o desfecho do longa.

Falar de um filme do Tim Burton é e sempre será uma tarefa de complicada. O diretor tem uma fanbase xiita forte e, qualquer opinião que vá contra “a genialidade” do cara, é tomado como ofensa pessoal. Felizmente, “Grandes Olhos” surpreende: A maneira tranquila e delicada que Adams dá vida a protagonista é extremamente crível (E incrível). Não entendi pq a interpretação dela foi barrada na relação de indicadas ao Oscar  (Aliás, alguém me explica o que foi a indicação da Rosamund Pike para melhor atriz por “Garota Exemplar”? Não entendi. Puta filme chato e a Amy de Pike foi de dar sono).

Falando em indicação ao Oscar, a dobradinha Burton-Waltz não garantiu também uma indicação ao colecionador de indicações (e estatuetas), mas aí é compreensível: Walter Keane ficou exagerado. Ele poderia até ser exagerado na vida real de fato, mas no filme ficou um pouco demais. O bon vivant de Christoph entrega uma opção legal de entretenimento mas TÁ LONGE de ser um dos personagens inesquecíveis da carreira do veterano. Esta, junto a canção-tema do longa interpretada pela Lana Del Reyvotril são as únicas ressalvas negativas que faço pra mais este campeão de bilheterias de Tim Burton. A interpretação de Jane, filha de Margaret, também valem o comentário: São duas interpretações (uma criança, uma adolescente) e ambas arregaçam (Mais a da criança, que passava na telona exatamente a tristeza que a mãe pintava em suas obras).

É difícil assistir a um lançamento do Tim Burton sem expectativa: A obra-prima (e meu filme favorito) “Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas” (“Big Fish”, 2003) foi um dos maiores acertos da carreira do excêntrico diretor, comparativo para tudo o que viria de lá em diante. A merda referente a comparações fede exatamente neste ponto: Nenhuma outra obra lançada desde então bateu a emocionante história entre pai e filho (Falando de longas, claro. As animações “A Noiva Cadáver” (“The Corpse Bride”, 2004) e “Frankweenie” (2012) vieram depois e são legais também). Vale a pena citar que Burton é a mente por trás do megalomaníaco blockbuster “Alice no País das Maravilhas” (“Alice In Wonderland”, 2010) e do indigesto remake de “Sombras da Noite” (“Dark Shadows”, 2012), para provar que gigantescos orçamentos nem sempre são sinônimo de boas obras e, por fim, o cara também atira no próprio pé…!

 

margarets

Margaret Ulbrich (verdadeira e na telona)

 

 

Finalizo afirmando que o filme, apesar de apresentar um lado sombrio psicológico distinto de outras obras do diretor, é uma das boas obras de Burton e com certeza entrará pra minha coleção. O filme, como citado acima, está em cartaz nas principais salas de cinema do país e abaixo você confere o trailer do longa para entender melhor a retratação cinematográfica dessa história, baseada em fatos reais:

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